O setor industrial segue em recuperação lenta. Bens de capital tiveram o melhor desempenho; bens de consumo duráveis decepcionaram.
O IBGE divulgou na semana passada os dados da Pesquisa Industrial Mensal de junho de 2025: a produção industrial cresceu 0,4% em relação a maio, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou abaixo do consenso de mercado, que esperava alta de 0,7%.
Na comparação com junho de 2024, o crescimento foi de 2,1% — resultado mais expressivo, mas que reflete em parte a base de comparação fraca do ano anterior.
Bens de capital — máquinas e equipamentos — tiveram o melhor desempenho do mês, com alta de 1,2%. É um sinal positivo para o investimento produtivo, mas ainda insuficiente para indicar uma retomada consistente. Bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos e veículos, recuaram 0,8% — o quarto resultado negativo nos últimos cinco meses.
A indústria extrativa, puxada pela produção de petróleo, cresceu 1,1%. Mas esse resultado não se traduz diretamente em empregos industriais tradicionais, dado o alto grau de automação do setor.
A recuperação industrial brasileira continua lenta e desigual. Os setores mais intensivos em tecnologia e capital estão indo melhor do que os setores tradicionais. Para o segundo semestre, a expectativa é de melhora gradual, impulsionada pela queda dos juros esperada para 2026 e pela manutenção do crédito para investimento.
Economista e jornalista. Cobre indústria, comércio e mercado de trabalho para a Gazeta do Capital. Formada pela FEA-USP com especialização em economia industrial.