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Agronegócio Puxa PIB do 2T25: Safra Recorde Esconde Fragilidades Estruturais

O crescimento de 1,8% no segundo trimestre foi real, mas concentrado. A dependência do agro levanta questões sobre diversificação.

Por Osvaldo Ferreira Neto · 12 jul. 2025 · Atualizado em 13 jul. 2025

O IBGE confirmou na última semana o que os dados parciais já antecipavam: o PIB do segundo trimestre de 2025 cresceu 1,8% em relação ao trimestre anterior, e 3,2% em relação ao mesmo período de 2024. O agronegócio foi o principal motor, com expansão de 4,1%.

A safra de grãos de 2025 foi excepcional. Soja e milho tiveram produção recorde, beneficiados por condições climáticas favoráveis no Centro-Oeste e no Sul. O valor bruto da produção agropecuária deve superar R$ 1,2 trilhão no ano, segundo projeções do Ministério da Agricultura.

As Fragilidades

O problema é que o crescimento concentrado no agronegócio tem limitações. O setor emprega uma fração pequena da força de trabalho urbana, tem baixo efeito multiplicador sobre o consumo das famílias e é altamente dependente de condições climáticas que podem mudar de um ano para outro.

A indústria de transformação, que tem maior capacidade de gerar empregos formais e bem remunerados, cresceu apenas 0,3% no trimestre. O setor de serviços, que representa mais de 70% do PIB, avançou 1,2% — resultado razoável, mas não excepcional.

"O Brasil cresce quando o agro vai bem. O problema é que o agro não vai bem todo ano." — Economista consultado pela redação

Para 2026, as projeções são mais modestas. A normalização das condições climáticas e a base de comparação alta devem reduzir a contribuição do agro. A sustentação do crescimento dependerá, em grande medida, da recuperação da indústria e do consumo das famílias.

Osvaldo Ferreira Neto
Editor de Política Econômica

Jornalista econômico com 20 anos de experiência. Cobriu o Banco Central por 12 anos para diferentes veículos.